quarta-feira, 23 de março de 2016

O Próprio Medo

O tempo não para, as notícias, os dias, as horas amontoam-se.Tudo em volta parece pairar no ar como se houvesse uma névoa densa ao redor, que impede que eu enxergue direito; me Oriente ao certo, sinta o que me toca. Parece que nada ao redor é real.

Sinto que é e não é isso, tudo meio entorpecido, confuso, quase vago. Depois de tanto tempo, percebo-me então acostumado a esse sentimento. Essa tediosa percepção é tudo que tenho. Tento expandir os horizontes, abrir a mente, sem os aditivos rotineiros. Exige um movimento hercúleo, longo e lento. Me permite partir do questionamento:

Será que é pelo fato de ser tão massacrante sentir a dor do Mundo, saindo do próprio umbigo, encarar o espelho, e imediatamente a partir daí ser plenamente incapaz de negar o outro por um minuto sequer,  que fugimos o tempo todo do real, embarcando em todas as fugas e armadilhas oferecidas pelo Mundo, coisa e tal?

E mais:

Praticaríamos uma negação da negação, em busca de resultados práticos e rápidos, como o macarrão instantâneo, que muito embora não seja de fato um alimento substancioso, mata a fome por enquanto?

Seria o Medo o adubo de toda essa mediocridade, confusão e comodismo que aceitamos estar ao nosso redor? É através do próprio medo que cedemos  cada vez mais, lentamente sendo devorados  pelo tédio das horas, pela frustração dos desejos não realizados?

Como Maurício, protagonista do romance “Limite Branco" do afiado Caio Fernando Abreu, se eu fosse um símbolo, certamente seria uma enorme interrogação. Tanto faz se isso é bom ou mal. Perder é sempre mais do que hesitar. E eu não vou me aventurar no Âmbito político, porque a questão levantada aqui abarca TUDO. Por medo, se deixa de fazer muita coisa, e muitas outras se faz.

3 comentários:

Unknown disse...

UMA BELEZA PARABÉNS !!!

Poeta Xandu du Ratos disse...

a noite às claras
agarravam-se sem fim
misto de desespero
e sexo
até perder o fôlego
então na alvorada
ambos já desarmados
entre-olhos
admitiam seus medos
e dormiam...
com a coincidência pesada.

Louis Allen disse...

Precisamente! Precisamos pesar as coincidências, apesar dos pesares das consciências!